O NEGRO E O VERDE - "Hortifruti orgânico de quilombolas chega à banca na UFGD"

Hortifruti orgânico de quilombolas chega à banca na UFGD


Um pequeno grupo de famílias das comunidades quilombolas da Picadinha, no distrito de Itahum, está produzindo e comercializando produtos orgânicos. A iniciativa é orientada pelo professor Euclides Reuter Oliveira, da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

A feira acontece três vezes por semana, na Unidade 2 da UFGD. “É um trabalho inicial que depende do envolvimento dos pequenos produtores e também da comunidade”. Atualmente os produtos são expostos em apenas uma barraca localizada no estacionamento, que fica em frente aos prédios das faculdades de Ciências Biológicas e Ambientais e de Educação (FCBA e FAED). O grupo de consumidores é formado por professores, alunos e servidores da instituição e também da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). “A produção ainda é pequena, mas está agradando a comunidade acadêmica das duas universidades”, comenta o professor. Para adquirir couve, brócolis, tomate, mexerica, abóbora, coentro, salsa, rúcula, alface, mandioca, ovos caipiras e mel, os interessados têm que chegar bem cedo.
A professora do curso de Biologia da UFGD, Mara Nilza Teodoro Lopes, faz parte da clientela assídua das mercadorias orgânicas produzidas na Picadinha. “Sempre levo hortaliças para casa. A qualidade é incomparável em relação àquelas vendidas nos supermercados”, avalia a bióloga.
“A feira deve proporcionar um ganho semanal para as famílias envolvidas na produção e o escoamento de um produto que, muitas vezes, estava sobrando na comunidade”, afirma Euclides.

Mudança de hábitos

Tanto a produção, quanto o consumo de produtos orgânicos, requer das pessoas mudança de atitudes e modificação de hábitos antigos. O professor explica que esse processo não acontece da noite para o dia.
“Os pequenos produtores precisam passar por uma etapa de transição. Deixar o modelo convencional, que usa agrotóxicos e oferece algumas facilidades, e começar a trabalhar com a produção orgânica, requer dedicação e paciência”. Essa análise também se enquadra no caso dos consumidores. De acordo com o pesquisador da UFGD, as pessoas acabam tomando o caminho da facilidade e da estética. “Na realidade, os produtos orgânicos ainda são feios e isso afasta o olhar do consumidor”, ressalta Euclides. Essa dinâmica, no entanto, tende a ser modificada, uma vez que alguns centros já avançados, como Vitória, que já trabalha com produtos orgânicos há mais de 30 anos e vem desenvolvendo práticas que agradam os grupos consumidores desse tipo de produto. “Lá em Vitória, com o apoio da universidade, já existe uma fiscalização exclusiva para os produtos orgânicos.
A proposta do professor Euclides é ampliar primeiramente o número de assentados envolvidos no projeto. “É um trabalho que tem que ser desenvolvido gradativamente, sem pressa e sem radicalismo”, comenta. Das 365 famílias das comunidades quilombolas da Picadinha, apenas três participam do projeto que está sendo implementado pela UFGD. “Nesse momento, o mais importante é a qualidade do que está sendo feito e não a quantidade”, declara o professor.
Docentes e pesquisadores que queiram colaborar com o projeto da feira, introduzindo outros grupos de produtores ou ainda oferecendo algum tipo de consultoria em relação aos preços e formas de comercializar o material, podem entrar em contato pelo email euclidesoliveira@ufgd.edu.br.
Apesar de trabalhosa, como afirma o criador da feira de orgânicos da UFGD, a prática da produção orgânica em Dourados está apenas no início. “Estamos lançando uma semente que pode render bons frutos no futuro. Só depende das pessoas perceberem que a produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos é um investimento no bem-estar humano”.
Fonte: http://www.progresso.com.br/dia-a-dia/ufgd-incentiva-producao-de-organicos-em-assentamentos 

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